Psicoterapia de casal

Um casal não é formado apenas por duas pessoas. Entre elas, constrói-se também uma relação: uma história compartilhada, modos particulares de oferecer e pedir cuidado, expectativas, acordos, desencontros, intimidade e formas de se proteger quando algo ameaça o vínculo.
É por isso que muitos conflitos conjugais não se resolvem simplesmente descobrindo quem está certo.
Discussões aparentemente banais podem carregar necessidades muito mais profundas: ser reconhecido, sentir-se importante para o outro, preservar autonomia, encontrar segurança, conseguir desejar e ser desejado. Quando essas necessidades deixam de encontrar espaço na relação, o casal pode ficar aprisionado em ciclos de cobrança, afastamento, silêncio, ressentimento ou conflito.
Na psicoterapia de casal, meu trabalho não é arbitrar a relação, ou ensinar uma maneira “correta” de amar. Também não parto do pressuposto de que toda relação deva ser preservada.
O trabalho consiste em compreender o que acontece entre aquelas duas pessoas: como cada uma participa da dinâmica construída, o que determinados conflitos comunicam e quais experiências individuais atravessam o vínculo atual.
Ao oferecer um espaço em que ambos possam existir sem que a experiência de um precise anular a do outro, a terapia pode favorecer formas menos defensivas de comunicação, maior reconhecimento mútuo e a construção de novos modos de estar juntos.
Às vezes, isso permite reconstruir intimidade, confiança e parceria. Em outras, permite reconhecer limites ou até construir uma separação menos destrutiva.
O objetivo não é manter o casal unido a qualquer custo. É ajudá-lo a recuperar a possibilidade de se relacionar a partir de escolhas, não apenas da repetição.
